Detalhes sobre a cidade de Tanque Novo
Tanque Novo surgiu a partir da povoação da Fazenda Furados, adquirida pelos irmãos Prudenciano Alves Carneiro e Juvêncio Alves Carneiro, em 1883, que eram filhos de José Joaquim Carneiro e Clemência de Oliveira Alves.
Essa fazenda era enorme, com uma extensão de mais ou menos nove quilômetros _ começava na região conhecida, hoje, como Alecrim, onde Juvêncio ficou residindo; e fazia limite com a Fazenda Lagoa Grande. Prudenciano, por sua vez, preferiu morar na parte central, onde se encontra Tanque Novo.
Ambos os irmãos tiveram dois casamentos: Prudenciano casou-se a primeira vez com Ursulina Marques; e, na segunda vez, com Gertrudes Francisca de Jesus. Juvêncio casou-se inicialmente, com Arlinda Francisca Gomes; e, depois, com sua sobrinha Ana Bela Carneiro (Bilinha), filha do primeiro casamento de Prudenciano com Ursulina.
Em 1909, Prudenciano construiu a primeira capela, auxiliado pela sua segunda esposa Gertrudes e, principalmente, pelo amigo Manoel José Batista. Esse mesmo casal, também, doou o terreno para a construção da primeira praça, ao redor da capela; hoje, conhecida como Praça da Matriz. Surgia, assim, um vilarejo que depois evoluiu para vila.
Essa vila ficou pertencendo ao município de Macaúbas, e recebeu os seguintes benefícios: tanque maior, feito pelo governo do estado da Bahia, barracão para realização de feira, campo de pouso de avião, o açude, o primeiro prédio escolar e o primeiro mercado, numa segunda praça, aberta no início dos anos 60, pelo então prefeito de Macaúbas, Amélio Costa.
Há controvérsias sobre a origem do nome de Tanque Novo: a primeira hipótese é que foi depois da abertura de um tanque grande, feita, manualmente, por Prudenciano e seu filho José Marques Carneiro (Cazuza); a segunda hipótese é que foi após a feitura de um tanque maior, pelo governo, no início da década de 20. Qualquer que seja a resposta correta, a frase que mais se ouvia, naquela época, era a seguinte: “Eu vou buscar água no tanque novo.”
A partir de 1962, com a emancipação política de Botuporã, Tanque Novo passou a ser distrito desse novo município. Todavia, a rivalidade entre as duas localidades era muito grande, pois, Tanque Novo almejava sua emancipação antes mesmo de Botuporã alcançá-la. Tanto assim, que só não lançou candidato a prefeito, naquele município, em 1972, quando apoiou Valdionor Marques, filho de Botuporã. Vejamos: em 1962, Osvaldo Marques da Silva (derrotado); em 1966, Juvêncio Carneiro Neto (derrotado); em 1970, Juvêncio Carneiro Neto (vitorioso); em 1976, José Carlos Marques (derrotado); em 1982, José Carlos Marques (vitorioso).
Os principais benefícios recebidos como distrito de Botuporã, foram: prédios escolares, mercado maior para a feira, posto de saúde, abertura de ruas, primeiros calçamentos, arborização de praça, energia elétrica, captação do sinal de televisão e instalação do primeiro banco – BANEB (Banco do Estado da Bahia). Obras, essas, conseguidas pelos ex-prefeitos de Botuporã: Antônio Augusto Mendonça, Alípio de Queiroz Marques, Juvêncio Carneiro Neto e José Carlos Marques.
Bento Carneiro
A história de Bento Carneiro é um capítulo à parte, que serve para explicar a origem da família Carneiro, em Tanque Novo. Viajante e aventureiro, em busca de pedras preciosas ou de riquezas minerais, ele era descendente de portugueses, porém, nascido em Salvador – Bahia, por volta de 1800. Conviveu com uma moça chamada Benedita, neta de indígenas, na região compreendida entre a Fazenda Noruega e a Fazenda São José; e geraram um filho, cujo nome era José Joaquim Carneiro. Preparando para o batizado desse filho, Bento Carneiro viajou a Salvador para comprar o enxoval e, também, bebidas para a festa do batizado. Acabou demorando mais do que as outras viagens costumeiras. Benedita e seus pais ficaram desconfiados, achando que ele não mais retornasse. Por isso, acabou batizando o menino, ao aproveitar a passagem de jesuítas por ali, pois, era uma raridade, a presença de padres naquela região. Ao regressar de sua viagem, Bento Carneiro soube, antes mesmo de chegar ao local, que a criança já havia sido batizada. Ficou muito chateado: botou fogo no enxoval, quebrou os barris de vinho, fez meia volta e foi embora, abandonando a família. José Joaquim Carneiro, o filho desprezado, foi criado pelo seu padrinho José Cardoso. Cresceu, tornou-se adulto e casou-se com Clemência de Oliveira Alves. Tiveram doze filhos: Prudenciano, Juvêncio, Francisco, Antônio, Constança, Maria, Custódia, Antonina, Exupéria, Carlota, Ana Joaquina e Ursulina. Todos com o sobrenome Alves Carneiro. Juvêncio e Prudenciano foram os dois irmãos que compraram a fazenda Furados, que deu origem a Tanque Novo. Eram netos de Bento Carneiro.
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